Batateiras

Situado no Município de Crato, o Geossítio Batateiras está a aproximadamente 3km da sede administrativa do Geopark Araripe. Está localizado na área do Parque Estadual Sítio Fundão, cortado pelo rio Batateira e próximo à cascata do Lameiro.

O Geossítio Batateiras é caracterizado pela presença de fontes naturais de água que fertilizam o Vale do Cariri e abastecem a população local. Estas fontes, nas últimas décadas, tornaram-se balneários e áreas de lazer da comunidade.

O sítio é um dos lugares mais afamados do município do Crato, já que daí oriunda a “lenda da pedra da Batateira”, um dos mitos fundantes da cidade, que remonta a presença indígena. Diz uma das versões que a Chapada do Araripe era entrada para um lago encantado, cujo único acesso estava segurado pela Pedra da Batateira. Assim que este lugar fosse profanado, a água, jorrando, iria inundar todo o Vale do Cariri e matar a sua população inteira. Neste tipo de narrativa há elementos indígenas que constam da existência de “serpentes” e “mães de água” e de forças encantadas, e também elementos de narrativas cristãs como a ideia do Dilúvio e do Apocalipse.

Na área do geossítio encontram-se edificações, como uma casa que serviu de primeira usina de eletrificação da cidade, a antiga Usina Hidroelétrica, erguida em 1939, já desativada. Este geossítio, recentemente declarado como parque estadual, ainda encontram-se, uma edificação rara de um sobrado de taipa (tendo um andar superior) e restos da engrenagem de um antigo engenho de rapadura, movido a boi.

Nas margens do rio da Batateira aflora uma intercalação de arenitos com uma rocha argilosa de cor escura (folhelho), ambos da Formação do Rio da Batateira. Esta sequência de rochas sedimentares registra o momento em que a região era caracterizada por ambiente fluvial/lacustre, onde os rios corriam formando eventuais ocorrências de planícies de inundação (níveis argilosos), sob um clima quente e semi-árido, há aproximadamente 115 milhões de anos (Período Cretáceo).

Nesta formação destacam-se os fósseis de conchas de microcrustáceos (ostracodes), fragmentos de vegetais e pequenos peixes. Estes fósseis ocorrem localmente e são extremamente frágeis, devido à composição e estrutura das rochas argilosas (folhelho).