Centro de Cultura Mestre Noza

Com tantas manifestações artísticas e culturais que afloram no interior do Ceará, muitas pessoas acabam sem ter o contato com essas manifestações, por uma série de fatores. Falta de divulgação, dificuldade de difusão por questão de distância. Foi pensando na possibilidade de difundir a arte do sertão caririense e incentivar os artistas locais que em 1983 foi realizado pela FUNARTE um Encontro de Produção de Artesanato Popular e Identidade Cultural. Após a realização desse encontro, e através de projetos da Secretaria Municipal de Cultural, um antigo prédio da Policia Militar do Ceará foi reformado e passou a ser utilizado como prédio do Centro de Cultura Popular Mestre Noza, que situou o artesão dentro de uma conceituação ampla e abrangente de cultura, entendida como todo sistema interdependente de atividades humanas na sua dinâmica.

Mestre Noza, ou Inocêncio Medeiros da Costa, nasceu em Pernambuco em 1897. Sua relação com Juazeiro do Norte começou em 1912, quando percorreu 600 km a pé, como romeiro, e junto com a família se estabeleceu na região desde então.

Exerceu diversas atividades, entre as quais a de soldado de polícia, funcionário da estrada de ferro Rede Viação Cearense, funileiro. A partir de 1930, tornou-se conhecido como artista popular, imaginário (escultor de imagens) e xilogravurista. Sua primeira escultura foi um São Sebastião e sua primeira xilogravura, uma capa de literatura de cordel encomendada por José Bernardo da Silva para ilustrar o folheto de José Pacheco A propaganda de um matuto com um balaio de maxixe. Em 1963, Sérvulo Esmeraldo, um artista do Crato, lhe deu uma série de gravuras da Via Sacra e lhe encomendou as matrizes em madeira. Ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho de Mestre Noza e resolveu levá-las para a França, numa viagem que fez em 1965. Conseguiu produzir uma edição especial, com apenas 22 exemplares impressos à mão e lançá-la em Paris.  O sucesso foi tanto que foi feita uma nova edição de mil exemplares, que também se esgotou rapidamente.

Noza passou a ser objeto de estudo em várias universidades, inclusive européias. Participou de diversas exposições com obras de escultura e xilogravura no Crato, no Recife, no Rio de Janeiro e em Paris. É autor também de alguns rótulos de cachaça e foi sempre considerado o grande artista popular do Cariri.

O Projeto Cultura Viva dos Artesãos do Mestre Noza vem consolidar parcerias, dinamizar o Centro de Cultura Popular Mestre Noza, fortalecer, equipar a Associação dos Artesãos de Juazeiro do Norte para o desenvolvimento das atividades das várias manifestações culturais. A SJ Administração em apoio à difusão dos artesãos da região do Cariri promove em sua sede a exposição ‘Caras do Sertão’, com obras de artesãos do Centro Cultural. A exposição esta aberta para visitação na seda da SJ.

fonte: http://www.blogsj.com.br/conheca-mais-sobre-o-centro-de-cultura-popular-mestre-noza